Lembro-me claramente da vez em que, aos 18 anos, fui pela primeira vez a uma festa de peão em Goiânia e fui surpreendido pela força das vozes que cantavam sobre amor, saudade e chão de terra batida. Saí dali com o coração acelerado e uma certeza: a música sertaneja não é só um gênero — é uma experiência coletiva que atravessa gerações.
Neste artigo vou compartilhar minha vivência, explicar a história e as nuances da música sertaneja, ajudar você a identificar subgêneros e artistas essenciais, e dar dicas práticas para quem quer ouvir melhor ou até começar a tocar sertanejo. Você sairá daqui sabendo onde procurar, o que ouvir primeiro e por que esse som fala tão forte ao Brasil.
O que é música sertaneja? Uma definição prática
A música sertaneja nasceu nas áreas rurais do Brasil como canções que expressavam cotidiano, amor, lida no campo e religiosidade. Com o tempo, ela se profissionalizou e migrou para rádios, televisão e plataformas de streaming, ganhando diversas vertentes.
Breve história: das trovas à arena
As raízes vêm da viola caipira e das trovas sertanejas do início do século XX. Duplas históricas como Tonico & Tinoco e Tião Carreiro & Pardinho consolidaram o gênero nas décadas seguintes.
Nas décadas de 1980 e 1990, nomes como Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo & Luciano e Leandro & Leonardo levaram o sertanejo para estádios e TV. Já no começo dos anos 2000 surgiu o chamado “sertanejo universitário” — mais pop, com batidas modernas — responsável por artistas como Jorge & Mateus, Michel Teló e Luan Santana.
Subgêneros principais (e como reconhecê-los)
- Sertanejo raiz / tradicional: viola caipira, arranjos simples e temas rurais. Exemplos: Tonico & Tinoco, Tião Carreiro.
- Sertanejo romântico: foco na voz e em letras de amor; arranjos orquestrados às vezes. Exemplos: Zezé Di Camargo & Luciano, Bruno & Marrone.
- Sertanejo universitário: mistura pop, arrocha e eletrônico; refrões fáceis e performance voltada para shows em casas noturnas e festas universitárias. Exemplos: Jorge & Mateus, Marília Mendonça (em sua fase de ascensão), Henrique & Juliano.
- Sertanejo pop/modernizado: produções complexas e releituras de sertanejo com elementos internacionais; Gusttavo Lima e Luan Santana transitam aqui.
Instrumentação e características musicais
A viola caipira é o símbolo do sertanejo raiz, mas o gênero aceita acordeon, violão, guitarra, baixo e baterias eletrônicas conforme a época e a vertente.
As letras costumam privilegiar narrativa e emoção — histórias de amor, traição, saudade, amizade e festas. Percebeu? A identificação emocional é uma das forças do gênero.
Por que a música sertaneja faz tanto sucesso?
- Identificação social: canta o cotidiano do interior e da cidade que nasceu do campo.
- Versatilidade estilística: transita entre o tradicional e o pop, atingindo diferentes públicos.
- Presença em eventos massivos: rodeios, exposições agropecuárias e festivais (ex.: Villa Mix) ampliaram o alcance.
- Marketing e indústria: gravadoras e plataformas digitais impulsionaram hits virais (ex.: “Ai Se Eu Te Pego” de Michel Teló).
Como começar a ouvir (roteiro prático)
Quer se aprofundar sem errar? Experimente esta sequência prática:
- Ouça uma playlist de sertanejo raiz (Tonico & Tinoco, Tião Carreiro) para sentir as origens.
- Em seguida, explore clássicos românticos (Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo).
- Depois, vá para o sertanejo universitário (Jorge & Mateus, Luan Santana, Marília Mendonça) e compare as diferenças de produção.
- Procure lives e shows em vídeo para ver como o público reage — a performance é parte da experiência.
Dicas para músicos: compor e tocar sertanejo
Se você compõe ou quer tocar sertanejo, algumas práticas me ajudaram muito na estrada:
- Estude a viola caipira e o dedilhado — mesmo na versão pop, entender a base raiz transforma sua musicalidade.
- Trabalhe refrões fortes e melodias fáceis de lembrar.
- Grave versões acústicas e versões produzidas para entender arranjo x público.
- Faça parcerias com duplas e participe de festivais locais — networking é essencial.
Recomendações de artistas e álbuns para conhecer
- Tonico & Tinoco — clássicos que explicam a raiz do gênero.
- Chitãozinho & Xororó — álbum “Fio de Cabelo” e sucessos que atravessaram décadas.
- Zezé Di Camargo & Luciano — voz e emoção no sertanejo romântico.
- Jorge & Mateus — referência do sertanejo universitário moderno.
- Marília Mendonça — letras diretas e foco na narrativa feminina contemporânea.
- Gusttavo Lima e Luan Santana — exemplos de transição para o mercado pop e internacional.
Onde acompanhar notícias, lançamentos e cifras
Para acompanhar dados do mercado musical e tendências, recomendo ficar de olho em plataformas como Pro-Música Brasil e seções de música de portais como G1 e UOL. As próprias plataformas de streaming (Spotify, Apple Music) divulgam listas e rankings que mostram quais artistas estão em alta.
Perguntas frequentes rápidas (FAQ)
O que diferencia sertanejo de forró ou MPB?
Sertanejo tem raízes rurais e ênfase na viola e nas narratives do interior; forró é um ritmo de dança com sanfona e zabumba; MPB é mais amplo e urbano, com influências eruditas e popular.
Como identificar se uma música é sertanejo universitário?
Procure por batidas eletrônicas leves, refrões pegajosos, produção pop e letras que falem tanto de paquera quanto de festas universitárias.
Existe espaço para inovação no sertanejo?
Sim. O gênero se reinventa constantemente — fusões com funk, eletrônico e pop mostram que há muito espaço para experimentação.
Conclusão
Em resumo: a música sertaneja é um universo amplo, que vai do violão simples à produção pop de arena. Sua força está na capacidade de traduzir sentimentos comuns em melodias que o público canta junto.
FAQ rápido: revisitamos origem, subgêneros, instrumentos, artistas recomendados e dicas práticas para ouvir ou compor.
Minha recomendação final: comece pelas raízes, passe pelos clássicos e termine nas playlists modernas — e preste atenção às letras. Você descobrirá não só canções, mas histórias que falam diretamente com muita gente.
E você, qual foi sua maior dificuldade com música sertaneja? Compartilhe sua experiência nos comentários abaixo!
Fonte consultada para contextualização e tendências: seção de música do G1 (https://g1.globo.com/pop-arte/musica/).